Ilha de Robinson Crusoé, a ilha do tesouro no Chile

Ilha de Robinson Crusoé, a ilha do tesouro no Chile

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Ilha de Robinson Crusoé - Chile
Um pequeno território de 96,4 km² de área, com cerca de 600 habitantes, situado a 673 Km da costa chilena. A primeira impressão que tive ao ouvir falar dessa ilha pertencente ao Chile (existe uma pequena ilha em Fiji que leva o mesmo nome) era de que eu iria para um lugar que mais parecia cenário do filme Piratas do Caribe. Não apenas pelo tamanho e a quantidade de habitantes, mas também pelo isolamento, pelo nome que a ilha leva e pelas inúmeras histórias de piratas e corsários que por ali passaram a muitos anos atrás.

A ilha foi descoberta em 1574 durante uma viagem do navegador espanhol Juan Fernandes, que dá nome a esse arquipélago, também composto pelas ilhas Santa Clara e Alejandro Selkirk. Na época serviu de referência para a marinharia, e como esconderijo e ponto de descanso para piratas e corsários. Há uma lenda que, segundo os nativos, esses piratas esconderam tão bem um tesouro nas terras isoladas da ilha que ninguém até então encontrou.

Ilha de Robinson Crusoé
Em 1704 o marinheiro escocês Alexander Selkirk discutiu com o capitão do navio e foi abandonado, tendo permanecido isolado na ilha deserta por cerca de quatro anos. Ao ser resgatado sua história ficou muito conhecida, inspirando o já famoso escritor Daniel Defoe a escrever a saga de Robinson Crusoé, um marinheiro imaginário que naufragou e permaneceu isolado numa ilha durante 28 anos. Por causa da fama dessa história, em 1966 o governo chileno resolveu batizar a ilha com o nome desse personagem.

Durante dois períodos da história a ilha foi utilizada como área prisional. Primeiro para os patriotas, na luta pela independência (1814). Inclusive no povoado de San Juan Bautista há o monumento chamado Cueva de los Patriotas, que são grandes cavernas que abrigavam os que lutavam pela independência do Chile. O segundo momento foi no primeiro governo do então presidente Carlos Ibañez del Campo (1927-1931).

A grande maioria da população local vive na vila de San Juan Bautista e seus arredores, e a pesca da lagosta é a principal atividade econômica do local. Mas sua população vem diminuindo consideravelmente, pois os jovens costumam emigrar para o continente fugindo do isolamento e em busca de melhores oportunidades.

Pode-se viajar à ilha de Robinson Crusoé tanto de avião, fazendo escala em Santiago, quanto de barco, através de pequenas companhias e navios de cruzeiro. De avião não há como saber exatamente quando os voos irão partir, pois as condições climáticas nem sempre são favoráveis. E ainda sim deve-se caminhar um pouco para pegar um barco e, enfim, chegar ao povoado de San Juan Bautista.

Seguindo todo esse trajeto descobri que a ilha na verdade “brotou” no meio do oceano, como resultado de grandes erupções vulcânicas. Até hoje tremores são comuns no local. Inclusive há placas avisando como proceder em caso de tsunami.

O local é excelente para o trekking e para tirar boas fotos. Mas a vista mais bela da viagem fica a cerca de 600 metros de altitude, no topo do mirante Selkirk, de onde se tem uma visão belíssima de toda a baía e do povoado. Prepare-se para uma caminhada de cerca de 2 horas.

Já na metade do percurso consegui ter uma visão deslumbrante da baía da Ilha de Robinson Crusoé. E logo no fim do percurso pavimentado já consigo chegar à  entrada do Parque Nacional Juan Fernandez. Um muito bonito e arborizado. As trilhas são de fácil acesso e é muito comum encontrar até idosos seguindo pelo percurso.

A ilha conta com uma boa estrutura para receber os turistas. Tem, é claro, energia elétrica, proveniente de uma grande gerador. Além de internet, um sistema de telefonia por rádio, várias pousadas e até uma discoteca. Os bares e restaurantes são muito agradáveis e contam com uma receptividade muito gentil dos habitantes locais. Eles estão sempre sorridentes e quase sempre pedem para tirar fotografias com os viajantes.

Uma das melhores formas de contemplar a viagem nesse lugar fantástico é como na foto acima: aproveitando um bom drink, enquanto curte a vista da baía ouvindo as histórias dos nativos.
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Cientista social e editor apaixonado por viagens, idiomas e todo o tipo de cultura. Já esteve em mais de 50 países, mas confessa que não sabe exatamente o número de cidades que já visitou. Acredita que a vida é muito curta para passarmos tempo demais em um só lugar, por isso está sempre transitando por aí.

2 Comentários

  1. Oi, Sandra. Obrigado pelo comentário.
    Realmente o Chile tem muito a oferecer além da neve. Eu também nem imaginava que essa ilha sensacional e isolada pertencesse ao país.

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